Histórias de assombrações, fantasmas e espíritos

Histórias verdadeiras, fatos verídicos, experiências reais do além. Fantasmas, espíritos, assombrações? Nós também buscamos descobrir a verdade.
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Entrevista sobre o Projeto Paranormal

Leia entrevista sobre o Projeto Paranormal ao site Entrementes, clicando aqui.

Se quiser mandar sua história, mande no email projetoparanormal@gmail.com

A partir de Março estaremos em campo para trazer e colocar no blog entrevistas e reportagens sobre histórias e fatos reais.


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Leonardo DiCaprio diz que a sua casa «faz barulhos estranhos»

Apesar de não acreditar em fantasmas, Leonardo DiCaprio diz que a sua casa «faz barulhos estranhos à noite.



O ator de 39 anos confessou que a última vez que ficou «verdadeiramente aterrorizado» foi quando foi acordado por sons estranhos vindos de um outro quarto da sua casa.

No entanto, Leonardo DiCaprio não acha que a mansão esteja assombrada, porque não acredita em fantasmas.

Ao ser entrevistado no programa britânico «Lorraine», o ator explicou que às vezes tem de se levantar a meio da noite para verificar se está alguém estranho dentro de casa. «Parecem rangidos, como se fosse um chão de madeira velha. Deve ser do vento ou da forma como a casa foi construída», contou.
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Tragédia no Joelma fez 40 anos: lugar é considerado assombrado

Palco de quase 200 mortes no dia 1º de fevereiro de 1974, o prédio que hoje se chama Edifício Praça da Bandeira foi construído em um terreno marcado por outras mortes em épocas distintas segundo relatos



Uma aura de mistério cerca o local onde fica o edifício Joelma, no centro da cidade de São Paulo. Palco de quase 200 mortes no dia 1º de fevereiro de 1974, o prédio que hoje se chama Edifício Praça da Bandeira foi construído em um terreno marcado por outras mortes em épocas distintas segundo relatos.
Uma das lendas que cercam o local diz que o terreno do Joelma serviu como um “local de castigo” para escravos indisciplinados que trabalhavam na região entre os séculos XVIII e XIX.  Negros teriam sido torturados até a morte, gerando a primeira série de mortes no local, considerado por muitos como amaldiçoado.









Pessoas se jogaram do Edifício Joelma durante o incêndio

Crime do poço
Antes de ser comprado por uma grande incorporadora, o terreno do Joelma era ocupado pela casa de Paulo Ferreira de Camargo, um professor de química orgânica da Universidade de São Paulo (USP). Em 1948, ele matou a tiros a mãe e duas irmãs, jogando os corpos em um poço que mandara construir dias antes no quintal da casa.
Segundo a versão do professor, seus familiares morreram em um acidente de automóvel durante uma viagem ao Paraná. O relato, porém, não convenceu a polícia, que, ao investigar o caso acabou descobrindo os corpos jogados no poço. Ao perceber que havia sido descoberto, Paulo foi até o banheiro e cometeu suicídio, dando um tiro contra o peito.
Além das mortes de Paulo, da mãe dele e das duas irmãs, o crime do poço ainda deixou uma vítima indireta, já que um dos bombeiros que participaram do resgate dos corpos morreu dias depois por infecção cadavérica, o que aumenta o número de mortes no terreno.









Construção do Joelma
Com 25 andares, sendo dez de garagem, o Joelma foi inaugurado em 1971, no mesmo terreno que ficou conhecido pelo Crime do Poço. Apesar de ser um prédio novo, ele foi consumido em questão de minutos por um incêndio que deixou 191 pessoas mortas e feriu mais de 300 no ano de 1974.



O prédio foi consumido pelas chamas do incêndio que começou no 12º andar 
Foto: Jornal do Brasil/Arquivo / Reprodução

As mortes violentas provocadas pelas chamas logo contribuíram para o surgimento de histórias envolvendo a presença de espíritos inquietos nos corredores do prédio.

Uma das histórias mais famosas, recontada diversas vezes entre os frequentadores do prédio, é a do caso de uma funcionária de um escritório de advocacia que teria ouvido, já tarde da noite, um barulho de porta sendo aberta.  Porém, quando ela foi verificar, a porta continuava fechada.

Instantes depois, ela ouviu o mesmo barulho e avistou o vulto de uma mulher passando pela sala de entrada. Quando chegou perto, porém, a funcionária não viu ninguém. Com medo, ela saiu do escritório rapidamente e, ao trancar a porta, viu novamente o vulto de uma mulher ao fundo no corredor. Segundo relatos, a assistente se demitiu, já que seria obrigada a ficar até tarde da noite outras vezes.



Fantasma no estacionamento

Outro relato famoso é o de um suposto entregador que teria avistado um fantasma no estacionamento do edifico.  Enquanto esperava seu ajudante retornar ao carro, ele viu uma mulher vestida toda de branco, flutuando em direção ao seu carro.

Assustado, o homem disse que saiu do local em direção ao colega de trabalho. Após a entrega, ele foi embora e não voltou mais ao prédio.







Joelma, 23º andar


Uma fotografia do filme Joema, 23º andar mostra uma silhueta que seria de um espírito 
Foto: Reprodução

Em 1979, um filme com o roteiro baseado nas cartas psicografadas por Chico Xavier creditadas à uma das vítimas do Joelma também ganhou contornos sobrenaturais. Durante as filmagens do longa “Joelma, 23º andar”, membros da equipe relataram ruídos misteriosos, refletores caindo sem motivo aparente e até o registro “sobrenatural” em uma fotografia.

A imagem, do momento em que os atores gravavam uma cena crucial, quando as personagens eram atingidas pelas chamas, uma forma transparente também é translúcida. Ninguém soube explicar o que seria aquela “sombra”. Alguns acreditam que seja o espírito de uma mulher que morreu durante o incêndio.

O mistério das 13 almas

O maior mistério envolvendo o incêndio do Joelma, porém, envolve as supostas almas de 13 pessoas que morreram presas no elevador do edifício no dia do incêndio. As vítimas morreram carbonizadas e, devido ao estado dos corpos, não foi possível fazer a identificação, já que não existia teste de DNA na época.

Os 13 cadáveres foram enterrados lado a lado no Cemitério São Pedro, na Vila Alpina, zona leste da capital, em uma espécie de memorial. Desde então, o local atrai peregrinos que passaram a atribuir supostos milagres às 13 almas do edifício Joelma.



Ao lado das sepulturas, foi construída uma capela em memória às 13 almas. É costume dos visitantes do local deixar copos d’água sobre os túmulos, o que seria uma forma de aliviar o sofrimento daqueles que morreram queimados.

A ritual começou quando frequentadores do cemitério relataram que, em um certo dia, pouco tempo após o incêndio, foram ouvidos gemidos e choros vindo da área das 13 sepulturas. Sabendo da causa das mortes, uma pessoa resolveu derramar água sobre os túmulos, o que teria cessado os gemidos.



No local, existem faixas e placas com agradecimentos por graças alcançadas por intermédio das 13 almas.
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Fonte: Reportagem Tribuna Hoje

O contador Osório Gonçalves da Silva, 60, um dos sobreviventes do incêndio no edifício Joelma, em São Paulo, há 40 anos, lembra-se claramente de ter sido salvo da morte por uma criança que surgiu diante dele em uma visão.

"Eu fui salvo graças a uma ajuda espiritual", diz Silva.

Outro sobrevivente da tragédia, o pastor evangélico William Conceição Ferraz, 56, que também estava no prédio na hora do incêndio, afirma que foi um 'anjo' que indicou a ele o caminho para a saída.

"Um anjo disse: levante e vem (sic)", diz o pastor.

Os dois contaram à reportagem do UOL o que enfrentaram naquele 1º de fevereiro de 1974, quando o prédio na região central da capital paulista pegou fogo, levando à morte 188 pessoas e deixando mais de 300 feridas.

O contador Silva se recorda do grito que percorreu o 21º andar do edifício, onde ele trabalhava: "Está pegando fogo! Olha a fumaça!"

Eram 9h da manhã, e o alerta provocou um instante de silêncio e paralisação, seguido por correria em direção aos elevadores.

Funcionário do banco Crefisul, que ocupava a maioria dos 25 andares do Joelma, o jovem Silva, na época com 20 anos de idade, cedeu o último lugar no elevador a uma senhora e resolveu esperar pelo próximo elevador, que nunca veio.

O fogo teve início no 12º andar após um curto-circuito em um aparelho de ar condicionado e se alastrou para os andares superiores. Das 750 pessoas que estavam no prédio, 188 morreram e mais de 300 ficaram feridas.

Ainda sem saber da gravidade do incêndio, Silva foi até as escadas, quando as luzes se apagaram. Ele desceu três andares e encontrou um grupo que subia desesperadamente. Foi aí que aconteceu o que ele chama de 'ajuda espiritual'.

"Uma criança apareceu na minha frente, me mandou entrar naquele andar e desapareceu", afirma o contador.



INCÊNDIO NO EDIFÍCIO JOELMA MUDOU HISTÓRIA DA PREVENÇÃO NO BRASIL

Ali, o contador se deparou com pessoas sentadas no chão, chorando, desanimadas. Um grupo queria se livrar das pilhas de documentos e das luxuosas e longas cortinas da sala, que cobriam as janelas de vidro, já estourando por causa do calor, para evitar que os papéis e o tecido servissem de combustível para o fogo. O temor de machucar a multidão que se formara em frente ao edifício impediu a ação.

Uma mulher viu a chegada dos bombeiros, e a notícia encheu todos de esperança, até o momento em que perceberam que a escada Magirus não alcançaria o andar em que estavam.

Foi aí que o contador Silva teve a ideia de usar as cortinas para descer até a escada dos bombeiros, mas a solução não salvaria a todos, ele lamenta.

"Uma moça linda (...) não teve força suficiente para se segurar na cortina e caiu, assim como outros", relata o contador.

Quando o contador conseguiu descer pelo pano, percebeu que dois andares ainda o separavam da escada Magirus. Então, teve de se agarrar ao concreto e às janelas quentes para alcançar os bombeiros, o que o deixou com queimaduras nas mãos e no peito.

A intoxicação provocada pela fumaça fez com que Silva passasse dois dias no hospital. Foram mais alguns em casa até que o banco Crefisul providenciou um novo endereço de trabalho, na avenida Ipiranga.

"A ausência de tantos colegas que morreram deixou tudo muito triste", diz o contador.

Silva ainda trabalhou mais quatro anos na empresa, tendo constantes sonhos em que se via preso em um túnel, o que ele acredita ter sido uma consequência do que enfrentou no incêndio..

"Um anjo surgiu entre a fumaça e estendeu a mão"

O pastor William Conceição Ferraz, 56, outro sobrevivente da tragédia do Joelma, era office-boy quando o incêndio aconteceu. Até hoje, ele carrega o trauma de ter chegado tão perto da morte.

"Não consigo mais subir em lugares altos", diz o pastor, que tinha 16 anos na época e ainda chora toda vez que vê uma reportagem sobre o caso.

Ferraz chegou ao 13º andar do Joelma às 8h30 para pegar um cheque. Assim que assinou o comprovante de retirada, percebeu a correria no andar, que foi rapidamente tomado pela fumaça.

Evangélico desde os sete anos de idade, ele conta que sentiu-se fraco e caiu no chão; viu uma mulher grávida morrer ao seu lado. Ao notar as chamas, apelou para a fé: "Senhor, se tu tens um plano para a minha vida, eis-me aqui. Se quiser me levar, estou pronto", pediu em oração.

De acordo com o pastor, uma voz respondeu, perguntando como ele estava.

"Um anjo surgiu entre a fumaça e estendeu a mão", ele afirma. O "anjo" o levou até a porta do único elevador que ainda funcionava, de acordo com o pastor.

O então office-boy levou um choque quando chegou ao térreo e viu um padre dando a extrema-unção a uma mulher que havia se jogado do edifício queimando.

Momentos de horror

Muitas pessoas não puderam ser socorridas a tempo porque, além de as escadas Magirus e os jatos d'água dos bombeiros não alcançarem os andares mais altos do Joelma, o edifício não tinha escadas protegidas contra incêndio nem heliporto.



"Assim que chegamos, uma pessoa saltou do prédio e caiu bem perto de nosso carro", conta o policial militar aposentado Marcílio Machado Filho, 60, que se apresentou à Companhia de Operações Especiais da PM assim que ouviu a notícia do incêndio no rádio.



Este foi apenas o primeiro momento de horror vivido por ele naquele dia.

"No interior do prédio, as cenas pareciam de um filme de ficção científica. Os corpos derretiam com a água que batia no concreto quente", diz o policial.



A temperatura no interior do Joelma ultrapassou 100ºC, e as telhas de amianto na cobertura tornaram o calor insuportável. Um helicóptero da FAB (Força Aérea Brasileira) tentou, mas não conseguiu pousar no topo do prédio.



Uma das soluções adotadas pelos bombeiros, então, foi colocar um cabo entre o edifício em chamas e um prédio vizinho, e assim resgatar quem estava no terraço.

A memória considerada a mais triste pelo PM Machado é a de um homem que, preso atrás de uma cortina de fogo, foi incentivado pelos bombeiros a correr na direção do grupo de resgate. "Ele morreu em nossos braços", lamenta o policial aposentado.

As equipes de socorro chegaram ao Joelma pouco tempo após o início do incêndio, e o fogo foi controlado cerca de uma hora e meia depois. O episódio marcou a história do edifício paulistano, que ficou em reformas durante quatro anos e foi rebatizado, em 1978, de edifício Praça da Bandeira.







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Histórias reais - Parte 3

Joel de Souza

Esta uma casa em Jacareí, que eu morei em 1977. Estive lá ontem, sábado, 05/01/2014 em companhia de um amigo. (35 anos depois) A casa já era assombrada,inclusive me machucaram quando uma garrafa de coca-cola pulou da geladeira pro chão, furando meus dois pés, em cima e embaixo! Tudo porque minha mulher pediu pra eu subir numa pedra no corredor da casa, para que eu sentisse sensações estranhas. Não senti nada, mas caçoei, estrebuchei virando os olhos. Entrei em casa, abri a geladeira (coisa que eu não faço até hoje, não tenho habito de coisas geladas) então a garrafa saiu da geladeira e se espatifou no chão, cortando meus pés. Como os fantasmas já nos importunavam à meses, (atacavam visitas inclusive) eu fiquei bravo com o desaforo. Chamei um pai de santo que afastou os bichos. Mudei-me de lá em poucos meses, mas nunca me esqueci dos traumas nem voltei lá. 

Sábado ultimo resolvi ir lá e tirar fotos. Não esperava nada anormal, mas a simples visão da casa me impressionou muito mal. Aparência tétrica, tive má impressão da casa. Bati a foto do NUMERO colocado no portão, achando que não seria visível pois a olho nu quase não se via os numeros PRETOS! Escritos manualmente. 

Fiquei admirado com a NITIDEZ, dos números em AZUL, de METAL, não escritos manualmente. Mas o impressionante foi a "mancha" branca. Fixando a atenção nela eu vi um demônio irado olhando para a maquina digital. Mandei para o amigo que estava comigo, perguntei o que ele via na mancha branca ele respondeu: O Cão!. Ficamos exageradamente arrepiados.

Na outra foto, da frente da casa, acho que os números são pretos e escritos à mão, não consigo ver nas fotos, vou providenciar copias em tamanho maior. Eu temi entrevistar o morador, mesmo porque eu não esperava fotografar um demonio, achei que isso havia acabado, mas acho que ele se lembra muito bem de mim. Também não havia motivo para importunar o atual morador (tinha um carro na garagem) ou colocar min minhocas na cabeça dele. Eu não tinha visto as fotos, uma má impressão que tive da casa não foi suficiente para mim.  Mas acho difícil que aquela família tenha uma convivência pacífica com a casa.   

Acho que isso deve ser do interesse do Projeto Paranormal,   

Um abraço.

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Continuação enviada posteriormente:

OI Mary  Fiz uma copia 15x21 da foto e enviei a atual moradora da casa. Pela resposta, ela disfarça, mas "sabe das coisas". A irmã dela "reconheceu" a entidade rsrsrsr - Aquela casa é sim, é impossível desmentir, ASSOMBRADA e eu vivi lá, um ano, com o inimigo, achei que, na ocasião,.eu o havia expulsado, mas que nada, ELE mora lá. Melhor tratar com respeito porque é uma criatura de muito poder, MESMO.  Bjs   


Caro Joel
Recebi a foto que me enviou. Mostrei à minha irmã e ela o reconheceu.
Quando entrei na casa em 2003, alguns dias depois os arautos do evangelho estavam visitando o bairro, como sou muito católica, os recebi juntamente com Nossa Senhora de Fátima. Rezamos e a casa foi benzida cômodo por cômodo. Dentro dela o mau não entrou. O portão foi pichado, várias vezes, eu o lavava e eles pichavam de novo, então deixei como eles queriam. O mau está no vizinho da frente que fez pacto e é usuário de drogas. Está doido para entrar, mas não deixo. Obrigada por me avisar, minhas orações foram redobradas, faço cura e libertação com um padre, e estou providenciando benção com água benta pelo lado externo também.
Espero conseguir tirá-lo de uma vez por todas da minha vida, e acredito Deus é maior, senão  não é Deus.
Muito obrigada



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Daniela Abreu

Nossa casa em Augustinópolis/TO era uma casa baixa, onde as paredes não tocam o teto e nem era forrada, ou seja, dava para ouvir até a respiração nos outros cômodos.
Da cozinha até a sala tinha tinha um corredor onde ficava a porta do quarto da minha mãe. Eu sentia um calafrio quando passava nesse corredor, quando estava na cozinha e ia para a sala eu me preparava para correr e chegava na sala saltitando de medo, não sei explicar por que eu sentia aquilo, apenas sentia.

Bom, mas um dia estava a família reunida na sala assistindo televisão, e eu resolvi dormir, minha mãe desligou a televisão e foi para o quarto onde eu estava com a minha irmã, meu irmão foi para o quarto ao lado, quando de repente um "vaso" foi jogado no chão da sala, dava para ouvir os "cacos" se espalhando pelo chão. Acordei com minha mãe chamando meu irmão, perguntando se ele havia escutado e ele disse que sim, daí todo mundo se encontrou na sala para constatar que não era nada, não havia vaso nenhum em casa, mas o barulho foi imenso, foi algo assustador.

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Edilson Pereira, jornalista desde 1975, colunista do site www.parana-online.com.br

Há alguns meses eu percebi que a grama crescia defronte um sobrado perto de minha casa. Notando bem, eu percebi que as janelas estavam fechadas há bom tempo, que a correspondência estava jogada no quintal e que a calçada interna estava suja. O mato também crescia entre os muros do sobrado. E eu acabei concluindo que o morador viajou ou se mudou. No entanto eu encontrei um conhecido chamado Horácio Merengalli e ele me contou algo mais trágico que motivou o abandono da casa: o dono se matou. “Você não sabia?”. O meu interlocutor estava mais impressionado com a minha ignorância sobre tal fato, do que com a tragédia que envolvia o endereço.

Eu não sabia e não me interessei pelos detalhes da tragédia, se é que o meu interlocutor sabia mais alguma coisa. Fiquei calado e depois fui em frente. O sobrado foi colocado à venda. E de vez em quando apareciam pessoas conduzidas por corretores imobiliários que olhavam o imóvel, que é novo e bonito, mas curiosamente o tempo passava e ninguém comprava. Depois de algum tempo eu me encontrei de novo com Horácio Merengalli e indaguei se ele sabia mais alguma coisa sobre o sobrado que afastava os compradores. Perguntei se o preço era alto - afinal, o mercado imobiliário está mais aquecido que o verão de 2014. Ele disse que não era o preço.

Ele olhou para os lados, com expressão conspiratória e segredou: “Quando as pessoas descobrem o que aconteceu com o último dono, elas perdem o interesse”. Não que elas tivessem medo de assombração. Mas é a velha história, com estas coisas não se brinca. Uma dona bonita que se interessou pelo imóvel disse: “Pode falar o que quiser, mas fica um carma pesado no lugar em que acontece uma coisa assim”. Eu contei a história para o Miguel Angelo de Andrade e surpreendentemente ele concordou: “E fica mesmo. Você não conhece a história do Joelma?”. Foi Miguel quem me alertou que no começo deste mês fez 40 anos da tragédia do Joelma. Eu perguntei: “O que tem o Joelma com isso?”

Eu me lembrei do tempo em que morei em São Paulo e evitava passar perto dos edifícios Joelma e Andraus, palco de duas grandes tragédias - dois grandes incêndios. O primeiro, dia 1º de fevereiro de 1974, foi o maior incêndio da história de São Paulo. O fogo devorou o edifício e deixou um saldo de 191 mortos e mais de 300 feridos. No entanto, antes da tragédia, o terreno em que o Joelma foi erguido, perto da Praça da Bandeira, já era referência de eventos sobrenaturais desde o século 18, quando escravos seriam castigados e mortos no local. Sem contar o episódio escabroso chamado de O Crime do Poço, que aconteceu em 1948, envolvendo o professor de química orgânica da USP, Paulo Ferreira de Camargo.

Pois bem, Camargo matou a mãe e duas irmãs e jogou os corpos num poço que mandou construir dias antes no quintal de casa. Ele contou para os familiares que elas morreram num acidente de automóvel numa viagem ao Paraná. Os familiares acreditaram, mas a polícia foi investigar o caso, achou os corpos no poço e quando Camargo descobriu que foi desmascarado, ele correu ao banheiro e deu um tiro no peito. Somente esta história já é de arrepiar. E tem mais: dias depois, um dos bombeiros que ajudou a resgatar os corpos do poço acabou também morrendo por infecção cadavérica. Além disso, quando o edifício foi construído, uma funcionária de um escritório de advocacia que ficava à noite no trabalho acabou pedindo demissão do emprego porque era perseguida pelo vulto de uma mulher.

Miguel disse que havia outros casos, mas eu disse que ele não precisava relatar mais porque eu me convenci - não é que tenha medo de assombração - que a prudência aconselha a não desafiar o sono ou a angustia daqueles que atravessaram de olhos retos, para o reino crepuscular. Por vias das dúvidas, na próxima vez em que eu me encontrar com o meu amigo do São Lourenço, já sei o que vou dizer para ele: “Há mais coisas entre o céu e a terra, Horácio, do que sonha a nossa vã filosofia”. Os compradores de imóveis sabem disso. Para que correr o risco?
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